Um ano - e eu ainda aprendo com vocês o que é amor de verdade

Minha querida, tem uma coisa que a gente só entende quando vive junto: um ano de casamento não é pouco coisa, não. É trezentos e sessenta e cinco dias escolhendo a mesma pessoa - no cansaço, na alegria, no silêncio de uma tarde comum. E eu, que já vi muita coisa nessa vida, sei reconhecer quando dois corações foram feitos um pro outro. Eu lembro do dia do casamento como se fosse ontem. A luz nos seus olhos. A forma como vocês se olharam na hora da aliança - aquele olhar que a gente não finge, que vem lá de dentro. Ali eu soube: isso aqui tem fundamento. O papel é o símbolo dessas bodas, meu bem, porque papel guarda palavra. E a palavra que vocês disseram diante de Deus naquele dia ainda tá de pé. Ainda sustenta. Ainda vale. Isso me enche o coração de gratidão. A Bíblia diz que o amor 'tudo suporta, tudo espera, tudo crê.' Eu vi isso em vocês esse ano. Nos ajustes, nas descobertas, naqueles momentos em que a vida aperta e a gente precisa de colo. Vocês se deram colo. E isso, filhinha, é mais raro do que parece. Que o Senhor continue sendo o centro dessa união. Que o próximo ano traga mais cumplicidade, mais riso fácil, mais paz dentro de casa. E que quando chegarem as bodas de prata, vocês olhem pra trás e sintam o mesmo que eu sinto agora: que foi bom, que valeu, que o amor escolhido todo dia é o mais bonito que existe.
· Vó Lurdes



