Um ano: e a vida que a gente escolheu ainda me surpreende

Tem uma coisa estranha e boa sobre completar um ano juntos: a gente percebe que a decisão mais importante que tomou não foi no altar - foi em cada manhã depois dele. Foi acordar e escolher você de novo, sem cerimônia, sem testemunhas, só porque era a coisa mais certa do mundo. Esse primeiro ciclo foi um misto de aprendizado e revelação. Aprendi que dividir espaço é uma arte. Que silêncio ao lado de alguém que você ama não é vazio - é presença. Que os nossos atritos são só o atrito de dois mundos que ainda estão aprendendo a orbitar no mesmo eixo, e que isso não é falha, é processo. As Bodas de Papel têm esse simbolismo que me faz pensar: papel recebe escrita, dobra, molda, guarda. O que a gente escreveu nesse primeiro ano já não apaga. Cada momento virou registro - os bons e os que a gente preferiu esquecer, mas que também ensinaram. O que eu mais carrego desse ano é a certeza de que escolhi alguém que me faz querer evoluir. Não por pressão, não por cobrança - mas porque estar perto de você me lembra quem eu quero ser. Esse é só o primeiro capítulo. E já é o meu favorito.
· Rafael Andrade



