Cinquenta anos de um amor que não negocia com o tempo

Existe algo que eu não consigo nomear direito quando olho pras duas de vocês juntas - uma mistura de admiração e de uma espécie de fé. Não a fé que se aprende, mas aquela que se observa, devagar, em cinquenta anos de escolhas renovadas. Meio século não é pouca coisa. É tempo suficiente pra desistir, pra esquecer, pra se perder. E vocês não fizeram nenhum dos três. Fizeram o mais difícil: ficaram - não por hábito, mas por decisão. Todo dia. Drummond escreveu que 'amar é eterno enquanto dura'. Vocês, no entanto, parecem ter encontrado uma brecha nessa sentença. Porque isso aqui durou, e ainda pulsa. Que este aniversário seja menos celebração do passado e mais reconhecimento do que ainda está por vir - porque quem amou assim por cinquenta anos sabe, melhor do que ninguém, que o tempo não é adversário. É testemunha.
· Profa. Beatriz Coelho



