Quatro anos: e a flor que plantamos ainda não parou de abrir

Tem algo curioso nas flores que a gente escolhe pra marcar uma data: elas não duram para sempre, e é exatamente por isso que importam. Quatro anos de casamento me ensinaram isso - não é a eternidade que faz uma história valer, é a atenção com que você cuida do que é vivo e frágil e precioso. Eu penso em nós naquele primeiro dia, quando tudo parecia uma promessa grande demais pra caber no peito. E penso em hoje, quando a promessa já tem textura, já tem cheiro de casa, já tem o peso bom das coisas que ficaram. Não somos mais dois que se escolheram por impulso - somos dois que se confirmam, todo dia, mesmo quando o dia não colabora. Cecília Meireles escreveu que 'o amor é um fogo que arde sem se ver'. Eu não concordo inteiramente: o nosso, a essa altura, eu vejo. Vejo em cada gesto pequeno que você guarda como se fosse sagrado. Vejo no jeito que você ainda me surpreende quando eu achava que já sabia tudo. Quatro anos parecem pouco pra quem olha de fora. Por dentro, são camadas - estações que passaram, desacordos que viraram entendimento, alegrias que viraram memória quente. São bodas de flores porque a gente ainda está em crescimento, ainda tem pétalas por abrir. Que o próximo ciclo traga mais do que esperamos - e que a gente tenha, sempre, coragem de regar o que plantamos juntos.
· Profa. Beatriz Coelho

