Dez anos e eu ainda escolheria você na primeira frase
Existe algo curioso no estanho, o metal das nossas bodas: ele não brilha como ouro nem seduz como prata, mas dobra sem quebrar, resiste sem endurecer. Dez anos ao seu lado me ensinaram que o amor de verdade tem muito mais a ver com esse metal do que com qualquer pedra preciosa. Lembro do primeiro apartamento, das finanças apertadas de janeiro, das noites em que o cansaço falava mais alto do que qualquer romantismo. Lembro também de você, do outro lado da mesa, fazendo café às seis da manhã sem que eu pedisse, como se soubesse, antes de mim, o que eu precisava. Dez anos não são uma linha reta. São uma frase longa, com vírgulas e travessões, com pausas que assustam e retomadas que aliviam. Clarice dizia que a vida se entende de trás pra frente, mas se vive pra frente - e é exatamente assim que eu enxergo cada escolha que fizemos juntos: só de perto, só olhando para o que construímos, é que a beleza aparece inteira. Hoje não quero te dar um discurso. Quero apenas que você saiba que, se me dessem a página em branco outra vez, eu escreveria o seu nome na primeira linha. Sem hesitar. Com a mesma letra, a mesma vontade e um amor que aprendeu, nesses dez anos, a ser mais fundo do que largo. Feliz aniversário de casamento. Nossa história é a melhor que já li.
· Profa. Beatriz Coelho



