Trinta e cinco anos juntos: uma graça que só cresce

Há uma beleza particular em contemplar um amor que chegou aos trinta e cinco anos de união. Não a beleza fácil do começo, aquela que se impõe e dispensa palavras - mas a beleza que se conquistou no silêncio das noites difíceis, na paciência que só amadurece com o tempo, na decisão renovada a cada amanhecer de permanecer. O esmeralda, dizem os que estudam as pedras, não é transparente como o diamante. Guarda dentro de si pequenas imperfeições, chamadas pelos lapidários de 'jardins'. É justamente ali, nesses jardins internos, que reside toda a sua riqueza e cor. Trinta e cinco anos de casamento são assim: não um vidro polido sem história, mas uma pedra viva, com jardins dentro - memórias, perdões, recomeços, graças escondidas. Nossa Senhora Aparecida, que foi encontrada em pedaços e hoje é a Mãe do Brasil inteiro, conhece bem o que é ser restaurada pelo amor e pela fé. Peço a ela que interceda por vocês dois, que cubra esta união com seu manto, que continue sendo a companhia silenciosa de cada decisão tomada juntos. Que estes trinta e cinco anos sejam não uma chegada, mas uma soleira - o lugar de onde se avista, com gratidão e esperança, tudo o que ainda está por vir. Que a graça que começou aquele dia siga crescendo, como cresce a esmeralda: devagar, em profundidade, guardando luz onde outros só enxergariam pedra.
· Padre Henrique
